viernes, 17 de julio de 2009

IMIGRAÇÃO POLONESA NO BRASIL


WENCZENOVICZ, Thaís Janaina

Considerações Iniciais

Tentar apresentar razões explicativas que justificam o deslocamento de milhares de seres de um continente para outro não pressupõe uma resposta imediata e simples. Implicação ainda maior quando se apresenta como autores centrais desta trama os imigrantes poloneses. O ano de 1875 é apresentado em maior número de fontes como data de chegada deste grupo. Sabe-se que tanto o Brasil, como a Polônia estavam dispostos a efetivar este grande movimento humano chamado imigração.
Objetiva-se neste texto apresentar motivos que contribuíram para esse deslocamento, a viagem além-mar, os aspectos legais da imigração, o estabelecimento em solo nacional e estadual, as relações sociais e econômicas, bem como as vicissitudes que envolveram esse complexo processo no decorrer do século XIX e XX, tendo como personagens centrais os poloneses.


1.0 Falando em Imigração
Desde os primórdios da humanidade, o homem tem migrado continuamente por motivos econômicos, naturais, políticos e sociais. Em lei de 1882, o governo imperial brasileiro autorizou a venda das terras públicas estaduais a particulares, sob compromisso de que promovessem a colonização. Nas últimas décadas do século XIX o Brasil encaminhava-se para a abolição da escravidão e os grandes cafeicultores preocupavam-se com o espectro da falta de mão-de-obra em suas fazendas. Sendo o café o principal produto da economia nacional, seriam grandes os reflexos negativos de tal medida. A política imigratória foi a solução adotada pelo poder político brasileiro. Esta possuía três objetivos básicos:
substituição da mão-de-obra escrava pela mão-de-obra livre, num momento em que ocorria expansão do capitalismo a nível mundial;
povoamento e colonização de áreas ainda virgens, com a possibilidade de surgimento de núcleos de pequenos proprietários agrícolas;
diversificação da estrutura produtora que contribuísse para o abastecimento interno do país e amenizasse o desnível da balança comercial causado pelo grande peso das importações de alimentos.
Com a República, proclamada em 15 de novembro de 1889, as terras devolutas passaram à propriedade e domínio dos Estados da Federação, de acordo com o artigo 64 da Constituição Federativa de 1891. Em decorrência deste fato, a colonização e imigração passam à competência dos governos estaduais, agora regidos por Constituição própria, em regime de Federação. No Rio Grande do Sul, a legislação base foi a Lei n.º 28, de 5 de outubro de 1899, sobre “Terras Públicas, Colonização e Florestas” e o Regulamento aprovado pelo Decreto n.º 313, de 4 de julho de 1900.
O fato de que os Estados e a União subsidiariam e assumiriam conjuntamente a empresa de imigração e colonização oficial, acarretava atritos e dificuldades ao poder público em vários momentos. Por essas e outras razões, o governo do Estado do Rio Grande do Sul rompeu, em 1914, seu acordo com a União, pondo fim à imigração oficial subsidiada no Estado (Decreto n.º 2. 098, de 13 de julho de 1914 ).

2.0 Polônia, Poloneses e Recrutadores
As razões da emigração polonesa foram diversas e profundas. No século XIX, à semelhança de outros países europeus, a Polônia vivia grave crise econômica, política e social, que obrigou a que milhares de indivíduos viajassem para o Novo Mundo.
Dentre as principais razões do movimento migratório, pode-se citar o excesso de mão-de-obra nas aldeias e vilas, o elevado crescimento demográfico, a falta de terras para as novas gerações, a ausência de legislação agrária, o êxodo rural para os centros industriais devido à mecanização rural, perseguições políticas e religiosas. Sem dúvida, a grande razão da imigração foi a possibilidade de imigrar para uma nação onde fosse possível tornar-se proprietário de terra.
Acresce-se também a ação dos propagandistas e recrutadores de imigrantes que foram conhecidos como “agentes recrutadores”. Estes espalharam-se pelas diversas regiões da Polônia, com a finalidade de entusiasmarem a população a emigrar. Espalharam-se artigos, livretos, brochuras e comunicados sobre as excepcionais condições oferecidas pelo Brasil.
Na Polônia, como assinalado, tais agentes encontraram campo propício de trabalho, devido aos inúmeros problemas econômicos, políticos - três partilhas territoriais -, e sociais em que vivia a população polonesa da época. O reino da Polônia e a Galícia foram as regiões que mais sentiram o efeito da atuação dos agentes recrutadores.
Na Polônia era quase inviável tornar-se proprietário de terra. Nos séculos XVIII e XIX, o poder político e econômico estava nas mãos da nobreza. A pequena e média burguesia progredia com dificuldade, enquanto a alta burguesia, ligada à alta nobreza, acelerava o passo, sem questionar a estrutura vigente. “O camponês polonês, tanto sob o domínio prussiano como sob os outros domínios, vivia num sistema social altamente hierarquizado. Numa aldeia as classes sociais eram nítidas e sua mobilidade muito hierarquizada.” (WACHOVICZ, 1974: 86). Obrigado a arrendar a terra, o camponês cedia grande parte do seu trabalho como renda.


2.1 Polônia: produção econômica e a terra
Num contexto que bloqueava a ascensão social de diversos segmentos, o camponês era visto e tido como simples força braçal, geradora de trabalho. Seu alheamento a quase tudo que se encontrava situado fora de sua aldeia e arredores – okolica, apoiado pela aristocracia e pelo clero, dificultava-lhe a luta pela imposição da divisão da terra e de leis agrárias.
Geralmente viviam numa comunidade semi-feudal, com raras oportunidades de pertencer a quaisquer outras instituições sociais. A comuna e a paróquia eram o seu mundo. Sua participação na primeira era muito limitada. Medidas restritivas do governo faziam com que sua participação na administração comunal fosse à de espectador passivo. (WACHOVICZ, 1974: 86).
Também o pequeno proprietário via-se em grande dificuldade. “Na área econômica, a situação dos poloneses tornara-se ainda mais cruciante. Os impostos prediais e territoriais eram tão pesados que os proprietários não tinham com o que pagar e, para não caírem na prisão, eram forçados a vender suas reduzidas propriedades.” (STAWINSKI, 1976: 15). Durante dezenas de anos, a economia polonesa alicerçou-se na agricultura, com destaque para alguns produtos básicos, como a batata, o centeio e o trigo. A Posmânia e a Pomerânia Ocidental eram bons exemplos: tratava-se de regiões essencialmente agrícolas, com um número incipiente de indústrias.
O caráter agrário da Polônia e a carência de terra explicam o fato de a imensa maioria dos poloneses que partiram para o Brasil ser camponesa. “O camponês, ávido por terra, da qual tirava seu sustento, vem procurá-la onde ela existe em abundância, na América. Esta é a grande aspiração dos que preferem o Brasil como seu novo habitat. Noventa por cento dos que vieram para este país são agricultores.” (WACHOVICZ, 1974: 27).

2.2 Poloneses e movimientos migratórios
Dois grandes períodos caracterizaram os movimentos migratórios poloneses para o Brasil entre os anos de 1890 e da I Guerra Mundial, nomeados pela historiografia de “febre brasileira”. A maior onda da imigração polonesa para o Brasil ocorreu no período de 1870 a 1914. Segundo as estimativas do início dos anos vinte, chegaram ao Brasil em torno de 102.196 poloneses, distribuídos pela seguinte estrutura temporal:

Tabela 1 – Poloneses chegados ao Brasil

Período
Nº. de pessoas
1871-1889
8080
1890-1894
62786
1895-1900
660
1901-1914
24730
Total
102196

Fonte: Kawka, Mariano. A presença polonesa no Brasil

As primeiras levas de poloneses dirigiram-se para o Paraná e o Rio Grande do Sul. São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo também receberam poloneses, que se espalharam pelos centros urbanos e pelas fazendas de café. De 1897 a 1906, caiu bruscamente o número de imigrantes poloneses; chegavam apenas imigrantes isolados, geralmente atraídos por amigos e parentes residentes no Brasil.
Assinala-se que o segundo período inicia-se por volta de 1906, quando o Brasil, necessitando de mão-de-obra barata e numerosa para a construção de estradas-de-ferro, notadamente São Paulo – Rio Grande do Sul volta à sua antiga política de proporcionar passagem gratuita a quem desejasse imigrar.
Posterior é no período em que eclode a I Guerra Mundial que interrompeu sensivelmente a vinda de imigrantes poloneses e de outras origens para o Brasil. Ao findar o conflito mundial, o fluxo migratório polonês foi restabelecido, porém em menor escala. A título de exemplo por estados, em seu estudo pioneiro sobre os poloneses no Rio Grande do Sul, Edmundo Gardolinski apresenta um total de 27 mil imigrantes vindos ao Rio Grande do Sul, originando
as colônias até então desocupadas, descritas na tabela abaixo:

Tabela 2 – Imigrantes poloneses vindos ao Rio Grande do Sul

Colônias
N.º de famílias
Alfredo Chaves
10
Nova Virgínia
100
Nova Bassano
180
Monte Vêneto
30
Nova Roma
60
Capoeiras
100
Antônio Prado
200
São Marcos
600
Santo Antônio da Patrulha
200
Total
1480


Fnonte: GARDOLONSKI, Edmundo. Imigração e colonização polonesa. Porto oAlegre: Regional, 1958. p. 12.


Fontes bibliográficas apontam para a existência de elementos poloneses na colônia sul-rio-grandense de Conde d’Eu, na Linha Azevedo Castro, I secção, quando nesta região aportaram os imigrantes italianos em 1875. A chegada do grupo polonês teria ocorrido na mesma época em que vieram os imigrantes franco-suíços, porém alguns meses anteriores aos grupos provenientes da Itália.


3.0 A presenca polonesa no Rio Grande do sul

Em sua maioria, os emigrantes da Polônia eram camponeses pobres, que não tinham bens imóveis na terra de origem. Em geral, possuíam pouca ou nenhuma escolaridade: “Nem todos os imigrantes sabiam ler e escrever, pois alguns recorriam a amigos, para que em seu nome escrevessem cartas. Por sua vez, os que escreviam mostram que tinham, apenas instrução primária.” (STAWINSKI, 1976: 79).
Oriundos da região ocupada pela Prússia, os primeiros imigrantes poloneses teriam chegado ao Rio Grande do Sul na segunda metade do século XIX. Bochnia, Brzesko, Cracóvia, Jarosław, Leżajsk, Przemyśl, Przeworsk, Rzeszów, Sanok, Tarnów, Tarnobrzeg, bem como as que se encontram presentemente nas fronteiras da Ucrânia: Bolechów, Chodorów, Czortków Sambor, Stryj, Stanisławów, colaboraram no envio de imigrantes poloneses ao Rio Grande do Sul.
Inicialmente estes se estabeleceram na margem esquerda do rio das Antas, na Colônia Santa Tereza, que se limitava, ao norte, com a Oitava Seção da Colônia Alfredo Chaves e, ao sul, com a região de colonização alemã.
Já os poloneses provenientes da região sob o domínio russo somente começaram a chegar ao Rio Grande do Sul no final de 1889. Em sua maioria eram oriundos de Varsóvia, Kalisz, Plock e arredores. A viagem inicial rumo ao porto de Bremen era feita de trem, via Berlim. Entretanto, sabe-se que os poloneses partiram de várias regiões da Europa Ocidental, quando nestes estivessem instaladas as Empresas de Transporte e o país possuísse um porto.
A travessia do oceano, de Bremen ou Hamburgo até o Rio de Janeiro ou São Paulo, não era feita em menos de 18 dias. Durante a permanência nos barracões dos imigrantes, geralmente em Ilha das Flores, as famílias aguardavam a definição da região em que iriam se estabelecer. Em geral, após uma semana de descanso, a viagem prosseguia em direção aos seus destinos.
A travessia era feita sobretudo em navios de porte, a vapor ou mistos, visto que, a partir de 1840, as embarcações movidas à vela foram substituídas por navios de casco metálico, impulsionados com motores movidos a carvão. Cada navio transportava, em média, setecentas a oitocentas pessoas. Houve embarcações que excederam esse número. Dentre as empresas transportadoras de poloneses estava a Bendazewski & Serra Azul e F. Missler Bremen. (STOLZ, 1997: 29-33)
No princípio da imigração polonesa, as passagens marítimas eram por conta dos próprios imigrantes. Após a proclamação da República, o governo brasileiro comprometeu-se a custear as despesas de viagem desde o embarque nos portos europeus até o desembarque em Ilha das Flores, na baía de Guanabara. A partir de 1890, um grande número de poloneses partiu para o Brasil, para ocupar terras devolutas no Sul.
Durante o percurso os imigrantes se organizavam a partir da quantidade de viajantes, espaço disponível e normas cotidianas apresentadas a coletividade por parte da empresa contratadora responsável pela travessia. Dentre os espaços de memória mais observados em poloneses os mais salientados referem-se à alimentação servida a bordo durante a travessia e à superlotação dos navios.
A alimentação, durante a travessia, era abundante e, em geral, mais farta e rica do que a conhecida na Polônia pelos camponeses. “Durante a viagem alimentou-nos a carne de dois bois.” (STOLZ, 1997: 33). Os animais eram abatidos, segundo as necessidades, no decorrer da viagem. A carne servida aos passageiros não era comida habitual das populações camponesas da Polônia.
A comida costumava ser farta, sendo as refeições um dos momentos mais esperado no decorrer da viagem. “No navio a comida era bem boa, e bastante {...]. Tinha bolacha ou biscoito de manhã, com café. Lá na Polônia não tinha café. No almoço e na janta tinha batata, carne de vaca, sopa de arroz ou massa, ovos e outras coisas. No domingo era melhor, às vezes tinha vinho e frutas secas. Tudo era bom. Era meio apertado para comer, porque tinha muita gente no navio.” (KRZYSCZAK, 2001. Depoimento oral).
Em caso de enfermidade, os imigrantes permaneciam por um maior período no espaço do desembarque. Designava-se atenção e havia cuidado para que doentes e enfermos não rumassem para as colônias, evitando, assim, o contágio com os demais e contribuindo para a disseminação de moléstias e epidemias, tão comuns em cenário europeu.
No caso de moléstia e absoluta falta de recursos terá o imigrante no primeiro ano de seu estabelecimento auxílio para dieta e compra de medicamentos e outros socorros necessários e que lhe possam ser prestados. (IOTTI, 2001: 737-738).
O translado, relações diplomáticas, distribuição de terra e outras questões relacionadas ao fluxo migratório eram registrados e homologados em forma de lei, segundo decretos e incisos, de conformidade com o governo federal. (Decreto n.º 9.081, de 3 de novembro de 1911).
A permanência dos imigrantes nas hospedarias durava o período necessário para que se efetuasse o despacho aduaneiro das bagagens, desinfecção, quando for conveniente e a indicação ou escolha do destino ou espera de condução para a colônia designada. Ressalta-se que o processo de alojamento nas hospedarias não poderia exceder o prazo de oito dias e, em caso extraordinário ou de força maior, a decisão recaía para a Diretoria de Serviço de Povoamento.
Em caso de doença, os imigrantes recém-chegados obtinham tratamento médico, medicamento e dieta, sendo recolhidos à enfermaria da hospedaria quando necessário, tratando-se de enfermidades passageiras; e podendo ser removido para ambulatórios e hospitais mais próximos quando a hospedaria não tivesse meios de oferecer o devido tratamento. Em caso de moléstias contagiosas ou infecciosas, ou quando necessário tratamento melhorado, a preocupação era maior e se fazia imediatamente a isolação dos enfermos. (Decreto n.º 9.081, de 3 de novembro de 1911).
Geralmente enquanto os imigrantes permaneciam nas hospedarias, estes ficavam subordinados ás medidas de ordem, higiene e disciplina, aos órgãos públicos competentes. Constata-se que a maior rigidez no cumprimento das normas que vigoravam em prol da moralidade, condições sanitárias e segurança do estabelecimento ficou registrada na hospedaria do Rio de Janeiro – denominada de Hospedaria Ilha das Flores.
Também nesta hospedaria os imigrantes poloneses puderam usufruir da prestação de serviço de 3 médicos encarregados do serviço médico-cirúrgico, 1 médico especialista de moléstia dos olhos, 1 farmacêutico, 1 prático de farmácia e o serviço de uma ou mais parteiras, de acordo com as necessidades correntes nos barracões espalhados na Ilha das Flores. (IOTTI, 2001: 564).


3.1 Colonização e Povoamento

Vários problemas surgiram no início das atividades de assentamentos coloniais de imigrantes poloneses. Dentre os mais citados compreendem a viagem realizada dos grandes centros até os lotes coloniais devido à dificuldade que apresentavam os meios de transportes frente à condição geográfica. O imigrante polonês procedia de uma realidade diferenciada do meio rural e urbano. Em geral, vivia em seu habitat rural relativamente urbanizado, inserido no contexto europeu. Ao emigrar para o Rio Grande do Sul, antes da I Guerra Mundial, estradas, ferrovias e meios de transporte variados já eram comuns em diversas regiões da Polônia.
A viagem rumo à nova propriedade iniciava com o carregamento das malas nas mulas ou nas costas. Reservavam-se cavalos mansos para as mulheres e as crianças mais novas. Geralmente, os homens e os filhos seguiam a pé ou revezavam-se na maioria dos animais. Os imigrantes seguiam a viagem em fila indiana; à frente, ia o responsável pelo grupo, acompanhado de funcionário da empresa colonizadora. Parava-se para almoçar e para o descanso de homens e animais. As regiões designadas aos poloneses, como assinalado, raramente havia estradas como as conhecidas em solo polonês, sendo o caminho realizado por picadas abertas na mata. Não raro, precisava-se abrir o caminho com auxílio do facão e expressivo esforço físico. (WENCZENOVICZ, 2002: Cap. IV)
A acomodação dos imigrantes nas hospedarias e barracões, enquanto não fossem destinados a seus lotes também trouxe dificuldades aos imigrantes e Empresas Colonizadoras. Era difícil acomodar número tão grande de pessoas, com costumes e dialetos diferentes, em pouco espaço. A título de exemplo, podem-se citar as Colônias de Ijuí e Boa Vista do Erechim, onde os imigrantes ficavam dispostos em um barracão, esperando a designação dos lotes, nem sempre considerando suas diferenças lingüísticas e condições físicas - quente e mal ventilados -. Alemães, italianos, judeus e poloneses dividiam o mesmo espaço.
No momento da instalação no lote colonial, a edificação da residência estava entre as mais importantes para início do empreendimento. Em geral, foi o colono que edificou sua casa, utilizando-se de material encontrado na propriedade: barro, madeira, palha e pedra. Os pregos, algumas vezes utilizados pelos imigrantes alemães e italianos, não foram utilizados na arquitetura polonesa. Os poloneses utilizaram sobretudo o sistema de encaixes de madeira - blocausse -, usado na Polônia durante vários séculos, sobretudo na área rural.
Os imigrantes não eram exigentes no que se referia à moradia, já que a situação habitacional na Polônia era difícil. “As casas eram pequenas e mal ventiladas. Antes de emigrarem, muitos camponeses moravam em casas locadas. Muitas casas - chalupa - eram desconfortáveis, sem instalações sanitárias, assemelhando-se às choças medievais.” (TEMPSKI, 1971: 309-313).
Nem todas as famílias eram direcionadas para a mesma região. As que se dirigiam ao Rio Grande do Sul continuavam de vapor até Porto Alegre ou Rio Grande, onde descansavam por alguns dias. Ali eram informadas sobre a região onde se instalariam. Geralmente, prosseguiam, a seguir, por via fluvial até o porto de São João do Montenegro, local onde ocorria a distribuição e dispersão dos imigrantes poloneses pelas diversas localidades do Rio Grande do Sul. Após, as famílias polonesas partiam, por diferentes caminhos, de carreta, a cavalo ou a pé, transportando bagagens e crianças.
No decorrer de poucos anos, surgiram vários núcleos poloneses, como São Marcos de Cima da Serra (município de Francisco de Paula); Nova Roma e Castro Alves (município de Antônio Prado); Linhas Quinta, Sexta, Sétima, Oitava e Nona (municípios de Veranópolis e Nova Prata).
Após resolverem problemas iniciais candentes, tais como dificuldades com o estabelecimento, baixa qualidade das terras (acidentadas e pedregosas), péssimas vias de comunicação vicinais, que tornavam o transporte caro e precário, os imigrantes depararam-se com um novo problema: a falta de terras para seus filhos.
A partir do século XX, a pequena extensão das colônias (12,5 ha.) fez com que os poloneses, defrontando-se novamente com o problema da falta de terra, procurassem novas fontes coloniais no rio do Peixe e Paiol Grande (Erechim) – Colônias Novas. Os poloneses aproveitaram a oportunidade de vender suas terras, quando os italianos de Nova Trento (Flores da Cunha) se encontravam na mesma situação, sem lotes coloniais para seus filhos recém-casados. “Por sua vez, os novos casais italianos faziam questão de iniciar a vida em lote colonial que não distasse longe dos pais, parente e amigos.”(STAWINKI, 1976: 74).
Na primeira década do século XX, iniciou-se nova onda migratória polonesa rumo ao Alto Uruguai, ao norte do Rio Grande do Sul. “A região do Alto Uruguai e Planalto Médio foi dividida em ‘colônias’ ou lotes rurais de 250 mil m2 (25ha.). O Governo Estadual facilitava o pagamento, concedendo a cada família o empréstimo de 500 mil-réis, quantia essa que devia ser devolvida em pequenas prestações e em longo prazo. O título definitivo de propriedade do lote era concedido ao colono após a cobertura daquela dívida para com o Estado. A maioria dos colonos conseguiu franquear os lotes, trabalhando na construção de estradas.
Em geral, as colônias do Alto Uruguai e Planalto Médio foram divididas em lotes rurais – colônias – de 250.000 m2. O preço de cada lote girava em torno de 500 mil-réis. O governo estadual financiava a compra, devendo o imigrante pagar a terra em prestações. A dívida colonial originava-se do valor das terras, derivados dos auxílios e de multas decorrentes do atraso das parcelas da dívida. Se o pagamento integral da dívida colonial ocorresse no período do segundo ano de estabelecimento, o proprietário obteria uma redução de 12% sobre o valor da dívida colonial. (CASSOL, 1979: 30).
A organização dos novos núcleos de colonos poloneses deu-se segundo o processo já conhecido nas “Velhas Colônias”. Em geral, cada comunidade era composta de trinta a quarenta famílias. No Estado do Rio Grande do Sul existem várias cidades e distritos que possuem a significativa presença de núcleos poloneses. Entre eles pode-se citar: Alecrim, Alpestre, Aratiba, Áurea, Barão de Cotegipe, Cândido Godói, Capoerê, Carlos Gomes, Erechim, Erval Grande, Frederico Westphalen, Gaurama, Getúlio Vargas Giruá, Horizontina, Iraí, Marcelino Ramos, Paim Filho, Palmeiras das Missões, Planalto, Porto Lucena, Santa Rosa, Seberi, Três de Maio, Tucunduva e Viadutos.
Além disso, vale lembrar que, a partir de 1911 e 1912, e sobretudo após a I Guerra Mundial, milhares de agricultores poloneses emigraram da Polônia para as Colônias Novas e Velhas do Rio Grande do Sul as quais contribuíram para o acréscimo populacional de origem européia.
Mesmo com a possibilidade de ocupar outro lote colonial em nova região, não era permitido, segundo a legislação vigente, que os imigrantes ocupassem os lotes que não tenham sido legalmente concedidos. A posse também era efetivada somente após a cultura por mais de seis meses.
Quanto à posse do lote colonial havia duas formas de recebimento do título: provisório e definitivo. Títulos provisórios eram passados e entregues ao imigrante em 90 dias depois de sua localização e ter feito a preparação da terra para o cultivo. Já o definitivo era expedido quando o concessionário havia realizado o pagamento integral da dívida contraída para com o Estado e de que terão plena e geral quitação do título.
Grande parte dos imigrantes que ocuparam espaço geográfico nas Colônias Novas obteve primeiramente o título provisório e após longo tempo o definitivo. Devido às dificuldades geográficas e de cultivo do solo, como já assinalado, vários são os casos de negociação da dívida colonial, aspecto que fazia com que o título definitivo levasse um período maior para ser entregue ao proprietário.
As regiões a que se destinavam os imigrantes poloneses no Estado do Rio Grande do Sul eram acidentadas e de difícil acesso, pois os melhores terrenos já haviam sido ocupados pelos alemães, judeus e italianos. Dentre vários exemplos pode-se citar o município de Áurea, situado no norte do Estado, onde suas terras foram classificadas pelo Inspetoria Estadual de Terras, majoritariamente de baixa qualidade produtiva e com a presença de diversos acidentes geográficos. (WENCZENOVICZ, 2001: 112).
Entretanto, em meio às dificuldades, o que mais lhes interessava, impulsionando-os neste reinicio de vida, era a possibilidade de se tornarem proprietários. Sabe-se que a baixa qualidade da terra, para um grupo essencialmente camponês, repercutiu na configuração social dos imigrantes poloneses que ocuparam espaço em praticamente todo o território do Estado do Rio Grande do Sul.
Denotam desta especificidade econômica e social o estigma e preconceito vivenciado pelos imigrantes poloneses desde o momento de sua inserção na política migratória sulina. Atribuições culturais e sociais sinalizam o processo de segregação deste grupo, contrastando-se com os demais fluxos migratórios.
O fato de os poloneses emigrarem de um país dominado política, econômica e culturalmente fez com que os mesmos fossem vistos como ’polacos sem bandeira’. Aqui eles são assentados nos núcleos coloniais administrados pelo Estado Positivista e, para os positivistas, a Polônia estava num patamar inferior ao da Alemanha e Itália. Acresce-se ao contexto as inúmeras dificuldades enfrentadas no momento da instalação dos núcleos coloniais, onde ocorreram vários enfrentamentos entre os funcionários da Inspetoria Geral de Terras e os imigrantes poloneses. (GRITTI, 2004: 209-210).


3.2 Pequenos proprietários no mundo colonial

Na propriedade colonial trabalhavam todos os membros da família. Nos primeiros anos tiveram que vencer as dificuldades impostas pelo meio, pois não estavam acostumados com o desmatamento e a queimada. Raízes e tocos representavam outra dificuldade. Havia também a falta de recursos para sobreviver e para contratar alguém para as tarefas mais especializadas, como a derrubada das árvores.
O lote colonial e a família funcionavam como unidade produtiva, sendo que o sucesso dependia do bom desempenho da família. O trabalho da mulher ultrapassava os limites da casa e da educação dos filhos. Ela trabalhava na roça, no estábulo, no galinheiro e na horta. As crianças eram recrutadas para as mais variadas tarefas. Iam para a roça, cuidavam dos animais e auxiliavam no trabalho doméstico.
Nas propriedades predominava a policultura e a criação de animais que, geralmente, abrangia aves, porcos, alguns bovinos e cavalos para puxar o arado e a carroça. A lógica de produção do colono era a auto-suficiência. O excedente produzido era destinado à venda para comerciante local ou regional.
Alguns produtos colhidos eram destinados ao beneficiamento, dentro de um incipiente processo de industrialização herdado da Polônia. Destacam-se os alambiques, que aproveitavam a cana-de-açúcar, os moinhos que produziam a farinha de milho e trigo e as frutas que se transformavam em polpa e geléias.
Sabe-se que os colonos obedeciam, nas opções de plantio, às oscilações de mercado, procurando sempre se dedicar a uma cultura de maior rentabilidade. A vantagem do colono era que se tratava de cultura anual ou bianual, para enfrentar os momentos de crise.
As dificuldades impostas pelo relevo acarretaram muito trabalho e constituiu um obstáculo para a ascensão financeira, dos imigrantes poloneses sobrevivência da família. A acidez do solo, associada à falta d’água e o ataque das formigas deixavam o colono em estado miserável em grande parte dos núcleos coloniais. Entretanto, é neste cenário que este grupo desenvolve atividades visando a edificação e instalação de construções que permitiram a sobrevivência em solo sul-riograndense. (WENCZENOVICZ, 2002: Cap. V e VI).
Em geral, a residência media quatro por seis metros e era coberta de pequenas tábuas feitas de madeira. A casa compreendia um ou dois cômodos: cozinha e quarto, sem assoalho, com o piso de terra batida. Os imigrantes dormiam em camas trazidas da Polônia ou em tarimbas construídas por eles. A fumaça e as más condições de higiene eram comuns nessas diminuídas moradias. A cozinha era separada dos quartos para isolar o ambiente das cinzas, fumaça, odores e picumã. Essa lógica de construção também era habitual na zona colonial italiana. De forma geral, as mesmas condições de produção, os mesmos materiais, os mesmos recursos técnicos disponíveis no ambiente determinaram uma importante unidade no que se refere à moradia colonial.
As famílias não só construíam suas próprias casas como fabricavam também seus móveis e peças de vestuário. No mobiliário encontravam-se bancos, mesa, guarda-comidas e, nem sempre, o armário. As roupas eram penduradas em pregos fixos nas paredes dos quartos. Nessas peças predominava o uso da madeira. (WENCZENOVICZ, 2002: 87).
Além da casa, as propriedades possuíam outras construções, duas delas muito importantes: o galpão e o abrigo de animais. A facilidade de acesso a um ponto de abastecimento de água foi determinante na localização da casa, do galpão, do abrigo dos animais e do banheiro.
Nas proximidades da residência, os imigrantes construíram o galpão, de utilidade variada. Servia como depósito de implementos agrícolas, oficina e, em dias chuvosos, de local para as crianças brincarem. Como na região colonial italiana, o galpão era um prédio erguido sem acabamento esmerado, sobretudo para armazenar os cereais.
Inicialmente os animais eram encerrados por cercas de arbustos, espinhos e galhos entrelaçados. Mais tarde, surgiram as cercas de taipas de madeira e pedra, elemento farto em regiões ocupadas por imigrantes poloneses, dispensando a estética. Era grande a preocupação com a saúde e segurança dos animais - aves, bovinos, caprinos, muares e suínos -, pois serviam nas lidas agrícolas e como fonte de proteína alimentar.
Com o passar do tempo, surgiram os cochos para o sal dos animais, que podiam receber coberturas de duas águas, e alguns depósitos para armazenar cereais, lenhas e forragens. Se possível, construía-se um bebedouro, permitindo o acesso dos animais à fonte de água, na área aberta reservada a criação dos mesmos, diminuindo o trabalho do colono de conduzi-los para saciar a sede.
Algumas propriedades tinham apiários, alambiques, coelheiras e pequenas oficinas. Também próximas a casa, eram destinadas áreas de plantio para horta e pomar. Na horta plantavam-se hortaliças e legumes. As árvores frutíferas podiam estar espalhadas pela propriedade. Mesmo que a preferência fosse à carne, devido à escassez deste produto na Polônia, os legumes e vegetais eram consumidos fartamente.
Com a melhoria das instalações, solucionou-se a preocupação com os hábitos de higiene corporal. Pela construção dos primeiros banheiros coloniais, houve a possibilidade de tomar banhos mais demorados e tranqüilos. Até então, o córrego ou rio servia de grande banheira e os arbustos, de banheiros.
Com a ampliação das áreas construídas observa-se que o espaço designado para a realização da higiene corporal e necessidades físicas passaram a ocupar o mesmo local, porém com características arquitetônicas diferenciadas. “Uma casinha de um por dois metros dividia ao meio, servindo uma parte para o W.C. colonial, contendo um banco sobre um buraco fundo, e a outra parte para o chuveiro colonial, que consistia em uma lata de querosene perfurada e suspensa por cordão de couro cru.” (WEISS, 1949: 56).
A gamela e o tanque serviam para a higiene individualizada. Pela manhã, fazia-se a higiene matinal, lavando-se a face e as mãos; ao meio-dia, repetia-se a operação, lavando também os pés. À noite, o banho era mais longo e rigoroso, devido às inúmeras atividades braçais realizadas durante o dia. Geralmente, as crianças eram lavadas com água quente e muito sabão. Lavar a cabeça era tarefa do sábado. No verão a limpeza corporal era mais sistemática, devido à alta temperatura. ( WENCZENOVICZ, 2002: 89).
Ao contrário da constituição social vivenciada da Polônia, onde se vivia em pequenas vilas, com pequenas nesgas de terra para cultivar e pouco espaço nas residências, no Brasil os colonos se depararam com grandes extensões devolutas. O processo de colonização e povoamento em lotes coloniais isolados, afastando as famílias, fez com que estes providenciassem espaço de convivência coletiva: escola e igreja.


3.3 Instrução e religião para poloneses

A localização geográfica de grande parte dos núcleos constituídos majoritariamente por imigrantes poloneses, forçou-os a um isolamento, assim como o tipo de atividade econômica, quase que exclusivamente agrícola, determinou em parte seu fechamento à penetração da cultura nacional por meio da educação.
Considerando que a maioria dos imigrantes não sabia ler ou escrever, não se exigia do polonês, para ingresso na atividade agrícola, nenhum nível de conhecimento, domínio da prática ou técnica. A atividade era decorrente do tipo de organização produtiva da colônia, cuja base era a mão-de-obra familiar. Desde a infância, as crianças ajudavam seus pais na agricultura, não necessitando uma aprendizagem duradoura e orientada.
Inicialmente, os poloneses viam a escola como uma forma de instruir seus filhos, já que esta não era encarada como necessária à ascensão social. A atividade econômica não demandava nenhum tipo de preparo que a escola pudesse fornecer.
As primeiras aulas ocorreram em espaço coletivo, como capela ou na residência do professor, segundo acerto das partes envolvidas – pais e professor. As aulas eram ministradas inicialmente, em polonês. A tarefa era executada por algum colono que sabia escrever, ler e dominava as quatro operações aritméticas. O pagamento poderia ser em gêneros coloniais. O professor geralmente assumia outros cargos na comunidade, como direção de coral, sessões religiosas, organizador de atividades festivas ou recreativas e até conselheiro.
Livros eram peças raras. Existiam algumas preciosidades que acompanharam os imigrantes da Polônia até o Brasil. Estes possuíam função muito mais decorativa do que instrutiva. O nível escolar dependia das aptidões e preparo técnico do professor, bem como do desenvolvimento e envolvimentos dos alunos.
Até a nacionalização, ocorrida em 1938, praticamente todas as escolas dos núcleos poloneses, eram bilíngües e em turno integral. O horário e calendário escolar eram determinados pelos pais, considerando a época das colheitas. Esta atitude devia-se visualizando o gasto com a manutenção da criança na escola e a ausência de um elemento na cadeia produtiva. (GARDOLINSKI, 1976)
O clero também influenciou a educação nas colônias. O impulso inicial em criar escolas coloniais incentivadas por religiosos católicos, demonstrou a permanência da submissão do grupo, pois saindo de uma ambiente senhorial, onde sua iniciativa era diminuída, criou seus primeiros espaços de socialização, com características do Velho Mundo.
Como se constatou, a escola colonial serviu para tirar do analfabetismo uma considerável camada da população de imigrantes poloneses. Entretanto, somente com o desenvolvimento econômico das colônias, no século XIX e XX, e a conseqüente integração na economia regional e estatal, que o ensino começou a atuar como elemento indispensável e imprescindível aos imigrantes.
A iniciativa e desejo de construção de um espaço religioso em cada núcleo colonial, esteve ligada intrinsecamente a esmagadora preponderância do elemento aldeão, na composição mental católica do imigrante polonês. A paróquia, era na Polônia do século XIX, o único espaço onde o polonês tinha a oportunidade de participar, ocupando cargos na administração local das atividades paroquiais ou fazendo parte de associações religiosas.
A adoção do cristianismo católico por parte da Polônia, ocorreu em final do século X. A decisão partiu do poder político da época, pois este vínculo serviria de elo entre a Polônia com o restante da Europa ocidental, privando os príncipes germânicos do cômodo pretexto de fazer ataques constantes por serem os poloneses em maioria pagãos. Com a cristianização, a posição política do império polonês foi fortalecida. Este também se beneficiou no cenário internacional face aos demais Impérios e principalmente com seus vizinhos que permaneciam pagãos. (WACHOVICZ, 1974: 24).
A adoção do catolicismo por derivar de um acordo político, representou para as camadas dirigentes uma significativa melhoria na condição econômica e social, fazendo com que a maioria da população composta por camponeses ou proletários rurais, e comerciantes formasse um padrão de comportamento que com o passar dos séculos se concretizaria com a grande marca do imigrante polonês: a religiosidade católica.
Ressalta-se a esta condição imposta ao imigrante polonês, a profunda religiosidade essencialmente aos elementos católicos. O clero aliado à nobreza afigurou-se ao homem simples do campo como seu explorador, daí a junção de ambos que figurou em dois fatores: a nobreza ampliava seus bens pela guerra, ou saques, enquanto os eclesiásticos cresciam com as arrecadações/doações e ambos obtinham resultados positivos devidos a dominação cultural e mental através do domínio religioso.
Mesmo que o religioso católico fosse tratado em solo nacional da mesma maneira como o era o senhor na Polônia, viam a capela/igreja como um centro de convergência e socialização. Espaço sagrado designado às celebrações e outras atividades religiosas, adquiriu uma conotação, mais ampla. A freqüência aos espaços religiosos configurou-se uma fuga do quotidiano.
Enquanto predominaram as idéias da estrutura mental vigente nas aldeias polonesas, a obediência ao representante religioso foi total. Essa obediência do camponês ultrapassava as fronteiras de ordem espiritual e prosseguia na temporal.


4.0 Considerações Finais

A vinda de imigrantes para o Brasil, considerada a presença dos portugueses- colonizadores do país – ocorre a partir da abertura dos portos às nações amigas (1808) e da própria independência do País. Cabe também lembrar que antes de citar os deslocamentos populacionais voluntários no decorrer dos séculos XVI e XIX milhões de negros foram obrigados a cruzar o oceano Atlântico com destino ao Brasil como mão-de-obra escrava. É neste cenário, que os monarcas brasileiros trataram de atrair imigrantes para diversas regiões, oferecendo-lhes condições propícias para a manutenção dos lotes coloniais.
Através dos imigrantes europeus procurou-se formar uma população de pequenos proprietários agrícolas que abastecesse as grandes cidades em gêneros alimentícios, ocupassem os espaços despovoados, substituindo a mão-de-obra escravizada e, amenizando as tensões entre as elites e as camadas inferiores.
Sabe-se que o deslocamento dos imigrantes poloneses ao Brasil e sul do País está inserida no contexto imigratório europeu do século XIX. Aos imigrantes poloneses coube a pequena e distante propriedade. Ocuparam os longínquos e acidentados espaços para desenvolver suas pequenas propriedades coloniais. Muitos núcleos coloniais fracassaram, outros permaneceram numa condição de abandono. Os que distavam dos grandes centros enfrentaram dificuldades até de subsistência, abrindo espaço para as enfermidades, as difíceis condições sociais e em alguns espaços ao preconceito.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. ANAIS DA COMUNIDADE BRASILEIRO-POLONESA. Curitiba: volumes I e II, 1970.
  2. CASSOL, Ernesto. Histórico de Erechim. Passo Fundo: Instituto Social Padre-Berthier, 1979. Estado e colonização no projeto do PRR: a colônia de Erechim. Erechim. Jornal Diário da Manhã, 1991.
  3. CASSOL, Ernesto. Empresa Colonizadora Luce-Rosa & Cia. Ltda. Um estudo de fontes. Revista Perspectiva, n.º 7, 1978
  4. GARDOLINSKI, Edmundo. Imigração e colonização polonesa. In: BECKER, Klaus (Org.). Enciclopédia Riograndense. Canoas: Regional, v.5,1958. Escolas da Colonização Polonesa no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST/UCS, 1976.
  5. GRITTI, Isabel Rosa. Imigração e Colonização Polonesa no Rio Grande do Sul. A emergência do preconceito. Porto Alegre: Martins Livreiro.
  6. GUTIERRES, Éster & Rogério. Arquitetura e assentamento ítalo-gaúchos (1875-1914). Passo Fundo: UPF, 2001.
  7. IOTTI, Luiza Horn. (Org.). Imigração e Colonização: legislação de 1747-1915. Porto Alegre: Assembléia Legislativa do Estado do RS. Caxias do Sul: EDUCS, 2001.
  8. KAWKA, Mariano. A presença polonesa no Brasil. In: Relações entre Polônia e Brasil – passado e presente. Varsóvia: CESLA.
  9. KULA, Marcin. A emigração polonesa no Brasil à luz do estado das pesquisas conduzidas na Polônia. Varsóvia, 1990.
  10. KRUPINSKI, Rosália. Paróquia Nossa Senhora Monte Claro (1915-1990). Passo Fundo: UPF, 1990.
  11. LACERDA, de Faro Ciro. O essencial sobre a Polônia. Rio de Janeiro: Ed. de Vida, 1944.
  12. MAESTRI, Mário & CARBONI, Florence. Raízes Italianas no Rio Grande do Sul (1875-1975). Passo Fundo: Ediupf, 2000.
  13. MARMILICZ, Paulo Tomaz. A antiga colônia polonesa de Guarani das Missões e suas relações atuais: reflexão em torno do camponês guaraniense, sua trajetória histórica, suas realizações econômicas e desafios – 1891-1996. Ijuí: Policromia, 1996.
  14. MODTKOWSKI, Luiz Isidoro. A colonização polonesa em Áurea – Rio Grande do Sul. In: 1º Seminário Brasil-Polônia. Curitiba, 1998.
  15. POLSKA AGENCIA INFORMACYNA. Polônia, 1991.
  16. ROUSSEAU, Jean-Jacques. Considerações sobre o governo da Polônia e sua reforma projetada. São Paulo: Brasiliense, 1982. Tradução, apresentação e notas de Luiz Roberto Salinas Fortes.
  17. SMOLA, Krzysztof & DEMBICZ, Andrej. A presença polonesa na América Latina. Roteiros poloneses na América Latina. CESLA: Centro de Estudos Latino-Americanos. Varsóvia: Universidade de Varsóvia, 1996.
  18. STAWINSKI, Alberto Victor. Primórdios da imigração polonesa no rio Grande do Sul (1875-1975). Porto Alegre: EST/UCS. Caxias do Sul, 1976.
  19. STOLZ, Roger. Cartas de imigrantes. Porto Alegre: Edições EST, 1997.
  20. TEMPSKI, Edwino. Quem é o polonês? Boletim Especial do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, Curitiba: 1971.
  21. WACHOWICZ, Ruy Christovam. O camponês polonês – raízes medievais na mentalidade emergente. Tese de concurso à Docência Livre. Disciplina de História Medieval. Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 1974.
  22. WAIBEL, Léo. Princípios da colonização européia no Brasil. Revista Brasileira da Geografia, 1949. XI, n.º 2.
  23. WEISS, João. Colonos na Selva. Colonos na Selva. Emigrantes como agricultores. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 1949.
  24. WENCZENOVICZ, Thaís Janaina. Montanhas que furam as nuvens! Imigração Polonesa em Áurea (1910-1945). Passo Fundo: EDIUPF, 2002.
  25. WONSOWSKI, João Ladislau. Nos peraus do rio das Antas: núcleo de imigrantes poloneses da ex-colônia Alfredo Chaves (1890). Tradução e notas de Alberto Victor Stawinski. Porto Alegre: EST/UCS, 1976.


DEPOENTES ORAIS:

  1. KESSLER, Vicente. Depoimento oral, em 10 de setembro de 2003. Áurea.
  2. KRZYSCZAK, Wenceslau. Depoimento oral, em 8 de janeiro de 2001, Linha São Sebastião, Áurea.

ARCHIVO DIGITAL

Navio de imigrantes polones


Moinho e engenho de Joao Modtkowski - 1923

martes, 17 de marzo de 2009

OS POLONESES SOB O CRUZEIRO DO SUL



OS POLONESES SOB O CRUZEIRO DO SUL, a obra foi editada na Polônia em parceria com o Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos. A mesma divide-se em quatro capítulos que descrevem diversos aspectos do fluxo migratório polonês e no último é possível apreciar fotografias históricas desenvolvidas pelo conhecido fotorepórter Tadeu Vilani. Num total de 145 páginas, em versão bilíngüe, os pesquisadores Jerzy Mazurek, Márcio de Oliveira e Thaís Janaina Wenczenovicz, apresentam de forma clara e objetiva mais alguns elementos dos já disponíveis no mercado editorial sobre esse grupo étnico.

A partir de alguns registros de época - cenas de trabalho, de festas, fotos de família, plantas de casas, igrejas, cidades - e de um texto narrativo, o leitor entrará em, contato com a história entendida como um processo que diz respeito ao cotidiano de milhares de homens e mulheres que se deslocaram além-mar . Tarefa quase sempre bastante difícil, uma vez que os instrumentos de pesquisa disponíveis nas diversas instituições visitadas são, em alguns momentos imprecisos. Se alguns conjuntos documentais eram visivelmente relacionados ao tema, outros, no entanto, foram objeto de intensa consulta, com o fim de detectar seu interesse para a questão da imigração.

Ao longo do século XIX, quase dois milhões de europeus se instalaram no Brasil, afugentados por problemas políticos e econômicos que atingiam a Europa nesse período e atraídos pela possibilidade de ocupar vastos territórios despovoados e fornecer mão-de-obra ao país. Com um número estimado em mais de 1,5 milhão de descendentes no Brasil, os poloneses se tornaram uma grande influência na cultura, nas artes, na culinária e na música brasileira, enfim na composição da sociedade nacional como uma coletividade. Esses e outros elementos podem ser apreciados no decorrer da leitura da obra.


* Jerzy Mazurek, Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-americanos, da Universidade de Varsóvia (Instytut Studiów Iberyjskich i Iberoamerykanskich Uniwersytetu Warszawskiego), Polônia.

* Márcio de Oliveira é Doutor em Sociologia pela Universidade de Paris V (Sorbonne) e Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

* Tadeu Vilani; Estudou fotografia no Senac de Porto Alegre (1994), optou pela carreira de fotógrafo e começou a trabalhar como freelance na área de fotojornalismo. Colaborou com o jornal Zero Hora, de Passo Fundo , Rio Grande do Sul. Desenvolve trabalhos de expressão pessoal em fotografia e documentação do ambiente social da sua região.

* Thaís Janaina Wenczenovicz, Lic. História pela Universidade Regional Integrada Campus de Erechim , Magister em História pela Universidade de Passo Fundo e doutorado em História cursado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Professor do Universidade do Oeste de Santa Catarina, UNOESC.

jueves, 15 de enero de 2009

Arquivos Históricos: demanda científica e necessidade histórico-cultural

WENCZENOVICZ, Thaís Janaina 8*

A pesquisa histórica vive da experiência
e da boa administração arquivística.
KURTZ, Clara Marli




Arquivos e evolução histórica
As informações decorrentes da experiência humana, em sua imensa diversidade, tem produzido um grande número de registros que a testemunham e indicam os caminhos trilhados, possibilitando o seu conhecimento e reavaliação. É preciso não repetir os mesmos erros e atingir novos patamares no sentido de encontrar alternativas/soluções para problemas que se apresentam como novos ou transmudados.
Esses registros constituem-se no que é designado como documentos, ou seja, um conjunto de informações registradas em um suporte. Para que esses cumpram sua função social, administrativa, técnica, jurídica, cultural, entre outras, é necessário que estejam organizados, sejam preservados e acessíveis. Geralmente designam-se para esta relevante tarefa social os Arquivos Históricos respaldados pelo poder público e indivíduos que se sensibilizam com a memória coletiva ou com a escrita da história.
A história da evolução dos arquivos, segundo Bautier (apud Cruz Mundet,1994) e Romero Tallafigo (1994) é dividida em quatro períodos, a saber: a época dos arquivos de palácio, que corresponde em termos gerais à Antigüidade; a época dos cartórios, abarcando os séculos XII a XVI; a época dos arquivos como arsenal de autoridade, que se estende por todo o Antigo Regime, desde o século XVI ao século XIX; e a época dos arquivos como laboratório da história, desde o início do século XIX até meados do século XX.
Vale destacar que a Bíblia registra no livro de Esdras (6, 1), escrito entre 456 e 444 a.C., que "o rei Dario deu ordem, e uma busca se fez nos arquivos reais da Babilônia, onde se guardavam os documentos" (Bíblia, 1998).
No Egito, na Grécia e em Roma, na Antigüidade, já se respeitava a procedência do documento que sustenta a formação dos chamados "fundos arquivísticos", um dos princípios fundamentais da arquivística, até os dias de hoje.
Os arquivos do início da Idade Moderna trouxeram em si a influência daqueles que se formaram durante o declínio das civilizações desenvolvidas na Antigüidade e na Idade Média, sendo dotados de uma visão exclusivista de guarda dos documentos, enquanto instrumentos da administração, para uso restrito do governo. Essa concepção dos arquivos prevaleceu até o final do século XVIII, como relata Côrtes (1996, p.17).
A partir do século XX, os arquivos abriram-se à administração, aos cidadãos e aos pesquisadores de diferentes áreas e, à frente desses, fez-se necessária a presença de profissionais preparados a responder às expectativas e necessidades dos usuários que buscam informações para a elaboração de seus trabalhos. Segundo Lopes (1996), nos arquivos, o conteúdo informacional dos documentos diz respeito às atividades dos respectivos produtores, mas, como em qualquer outra instituição, a preocupação com a organização e disponibilização das informações é a tônica que prevalece.

2.0) Arquivo, História e Mémória
Os arquivos constituem a memória das instituições e das pessoas. Eles existem desde o momento em que o homem decidiu fixar, por escrito, suas relações como ser social.
A criação dos documentos são uma necessidade para o registro da memória, exercício de poder e reconhecimento de direitos. Os arquivos se dirigem fundamentalmente a cumprir o fim de SERVIR AOS CIDADÃOS, entendendo-se por SERVIÇOS e possibilitar o desenvolvimento de cidadania.

Referências Bibliográficas
BELLLOTTO, Heloísa. Arquivos permanentes: tratamento documental. São Paulo: T.A. Queiroz, 1991.
CAMARGO, Ana Maria, Bellotto, Heloísa (Coord.) . Dicionário de terminologia arquivística. São Paulo: AAB- Núcleo de São Paulo/Secretaria de Estado da Cultura, 1994.
CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS. Classificação, temporalidade e destinação de documentos de arquivos relativos às atividades-meios da administração pública. Rio de Janeiro: CONARQ, 1996.
COUTURE, Carol, ROSSEAU, Jean-Yves. Os fundamentos da disciplina arquivística. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1998
FARIA, Wadson Silva. O teorema da avaliação. In: Cenário Arquivístico/ Associação Brasiliense de Arquivologia. v.1, n.1 (jan./jun.2002)
GUARINELLO, Norberto Luiz. Memória coletiva e história científica. In: Revista Brasileira de História, vol. 14, 28, 1994.
JARDIM, José Maria. Sistemas e políticas públicas de arquivos no Brasil. Niterói: EDUFF, 1995
LOPES, Luis Carlos. A informação e os arquivos: teorias e práticas. Niterói : EDUFF; São Carlos : EDUFSCar, 1996.
LOPES, Luis Carlos. A gestão da informação: as organizações, os arquivos e a informática aplicada. Rio de Janeiro: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, 1997.

jueves, 4 de septiembre de 2008

“100 Anos da Colônia Erechim – Novas Colônias”


Colônia Erechim em exposição na Unoesc


Quinta-feira 21/08/08 - 08:37

Xanxerê – Banners que contam a história do centenário da criação da Colônia Erechim (RS), entre os anos de 1908 a 2008, estão sendo expostos por diversos pontos na biblioteca da Unoesc Campus de Xanxerê. Trazida pelo curso de Licenciatura em História em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas (IHGGV), a exposição “100 Anos da Colônia Erechim – Novas Colônias” iniciou-se no dia 18 e deverá ficar na cidade até o dia 28 de agosto.
São 16 banners contendo textos que referenciam o relatório assinado pelo agrimensor Cel. Severiano de Souza e Almeida, ilustrados com 28 fotografias de época – a maioria do ano de 1913 – tiradas por um fotógrafo não identificado que cruzou a Colônia Erechim, seguindo em direção a Paiol Grande e Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul, partindo logo após para os estados de Santa Catarina e Paraná.
Para a professora do curso de Licenciatura em História da Unoesc, Thaís Janaina Wenczenovicz, a exposição “100 Anos da Colônia Erechim – Novas Colônias” é de grande interesse histórico para o estado de Santa Catarina, já que boa parte dos colonizadores que vieram para o Oeste catarinense teve como intermédio as empresas que possuíam contatos oficiais com o Rio Grande do Sul e com as Novas Colônias.
De acordo com Thaís, Erechim, como muitos outros povoados do Brasil, surgiu à margem de uma estrada de ferro, neste caso a estrada de ferro que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo. Formado no ano de 1908 e colonizado basicamente por poloneses, italianos, alemães e israelitas, o povoado de Erechim teve 36 pioneiros, entre eles imigrantes europeus e outros provindos das terras velhas, como Caxias do Sul, que chegaram pela estrada de ferro e habitaram o lugar, tornando-se pouco tempo depois um distrito de Passo Fundo.
Conhecida como a Capital do Trigo, devido aos altos números de grãos produzidos, Erechim é atualmente chamada de Capital da Amizade. “A origem do nome está ligada aos primeiros habitantes de lá, os índios tupi-guaranis”, comenta a professora, complementando que Erechim significa “Campo Pequeno”, provavelmente porque os campos da região eram cercados por florestas.
Todo o material exposto foi organizado pelo professor Neivo Angelo Fabris, do IHGGV, e é financiado pelo Fundo Municipal da Cultura de Getúlio Vargas (RS). A exposição está aberta gratuitamente para visitação pública no turno da manhã, das 8 às 11h30min, e nos turnos da tarde e da noite, a partir das 13h30min até as 22h30min.

Fabiane De Carli – Folha Regional



Data: 20/08/08 - Horário: 15:15:04

Unoesc sedia exposição 100 Anos da Colônia Erechim -Novas Colônias

A Unoesc Campus de Xanxerê sedia, no período de 18 a 28 de agosto, exposição enfocando o Centenário da Criação da Colônia Erechim. O evento, uma iniciativa do curso de Licenciatura em História em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Getúlio Vargas (IHGGV), está localizada na Biblioteca Universitária.

A exposição é composta por 16 banners ilustrados com 28 fotografias, na sua grande maioria feitas no ano de 1913 por um fotógrafo não identificado, que cruzou pela então sede da Colônia Erechim, seguindo em direção a Paiol Grande e Marcelino Ramos. Após, ele prosseguiu viagem a Santa Catarina e ao Paraná. O texto que acompanha os banners tem como referência relatório assinado pelo agrimensor cel. Severiano de Souza e Almeida.

“Inicialmente chamado de Paiol Grande e, depois, sucessivamente, de Boa Vista, Boa Vista de Erechim, José Bonifácio e, finalmente, Erechim, como muitos outros povoados do Brasil, Erechim surgiu à margem de uma estrada de ferro. No caso, a estrada de ferro que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo”, explica a professora Thaís Janaina Wenczenovicz, do curso de História, do Campus de Xanxerê.

Colonizado basicamente por quatro etnias – polonesa, italiana, alemã e israelita –, o povoado formou-se em 1908. Foi também nesse ano que 36 pioneiros, entre imigrantes europeus e outros vindos das terras velhas (Caxias do Sul), chegaram pela estrada de ferro e habitaram o lugar, que logo tornou-se um distrito de Passo Fundo.
Erechim já foi conhecida como a Capital do Trigo, devido ao alto volume de grãos produzidos na agricultura. Hoje, é reconhecida como a Capital da Amizade. “A origem do nome está ligada aos primeiros habitantes do lugar, os índios tupi-guaranis. Erechim significa ‘Campo Pequeno’, provavelmente porque os campos da região eram cercados por florestas”, observa a professora.

A exposição “100 Anos da Colônia Erechim – Novas Colônias” possui um importante interesse histórico para o estado de Santa Catarina, considerando que grande parte dos primeiros colonizadores que se dirigiram ao Oeste catarinense vieram por intermédio de empresas colonizadoras que tinham contatos oficiais com o Rio Grande do Sul e, mais especificamente, com as Novas Colônias.

O material foi organizado pelo professor Neivo Angelo Fabris, do IHGGV, e financiado pelo Fundo Municipal da Cultura de Getúlio Vargas. A exposição está aberta para visitação no turno da manhã, das 8 às 11h30min, e nos turnos da tarde e da noite, a partir das 13h30min até as 22h30min.

Fonte: Setor de Comunicação e Marketing

martes, 2 de septiembre de 2008

Fernando Armindo Lugo de Méndez


De bispo a Presidência da Repúlica: Fernando Lugo


WENCZENOVICZ, Thaís Janaina *


Denota dessa última década a eleição e vitória de diversos líderes políticos de esquerda ao comando de vários países latino-americanos. Bachetelet, Chavez, Correa, Morales, e agora Fernando Armindo Lugo de Méndez como presidente da vizinha República do Paraguai.

Nascido em 30 de maio de 1951, Lugo é descendente de uma família humilde e natural de São Pedro do Paraná, situada a 400 Km ao sul de Assunção. Compõem também seu histórico uma infância e juventude recheada de dificuldades, principalmente por fazer parte de uma família que foi vítima de perseguição política durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-1989).

Na década de 1970 ingressou no Noviciado dos Missionários do Verbo Divino e, paralelamente, realizou seus estudos superiores na Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, na capital do país, onde posteriormente atuou como docente no Curso de Ciências da Religião. Na mesma década foi ordenado sacerdote católico em 15 de agosto de 1977 e posteriormente transferiu-se para o Equador a fim de trabalhar como missionário na diocese de Bolívar, em companhia do monsenhor Leonidas Proaño (1910 – 1988), um dos expoentes da Teologia da Libertação.

A década de 1980 reservou para estudos no Velho Mundo onde dedicou-se a área de Espiritualidade e Sociologia na conhecida Pontifícia Universidade Gregoriana. Na década de 1990, mais especificamente em 1994, regressou ao Paraguai onde foi nomeado bispo da diocese de São Pedro, sendo essa uma das regiões mais pobres do país. Sua nomeação deu-se através do papa João Paulo II, a qual o classificou como elemento com excente formação e despreendimento para atuar em espaço onde pobreza e miséria compunham o cotidiano daquele povo.

Sua atuação com as camadas excluídas e populares o aproximou do pensador Frei Betto, Leonardo Boff e de Dom Hélder Câmara. Suas opções político-ideológicas o permitiu ser ‘batizado’ em guarani de Tekojoja (que significa "viver entre iguais"). Em 2004, sem divulgar as razões, a Igreja o aposentou do cargo – indicando como cargo o título de "bispo emérito". Alheio às críticas ou às possíveis sanções da Igreja, em março de 2006, Lugo liderou o movimento Resistência Cidadã, que reunia os principais partidos políticos da oposição, cinco centrais sindicais e mais de cem associações e movimentos civis. No mesmo mês, foi o principal orador de uma manifestação de protesto contra o governo, convocada pela Resistência Cidadã, que reuniu mais de 30 mil pessoas em frente à sede do Congresso.

Após diversas investidas no cenário político e seu reconhecimento frente a população paraguaia, em 24 de abril de 2008 Fernando Lugo e dirigentes religiosos do Paraguai se reuniram para buscar uma saída à situação enfrentada pela Igreja Católica de ter um bispo-político, considerando o mesmo ocupar o cargo de presidente eleito de um país da América do Sul. Mesmo sem exercer sua atividade religiosa, Lugo continuava sendo bispo, num país onde a Constituição proíbe que todo ministro, de qualquer religião, exerça a presidência.

A 30 de Julho de 2008, o responsável legal do episcopado, Orlando Antonini entregou ao presidente eleito a aceitação, por parte do Papa Bento XVI, da renúncia de Fernando Lugo ao estado eclesial. Primeiro bispo a ser eleito chefe de Estado em toda a história, Lugo recebeu uma dispensa histórica do papa Bento XVI, permitindo-lhe exercer a presidência do Paraguai, a partir de 15 de agosto de 2008. "O Vaticano já concedeu o estado laico a muitos padres, mas esta é historicamente a primeira vez que ele o faz para com um membro da hierarquia eclesiástica", que não excluiu a reintegração futura de Fernando Lugo à hierarquia da Igreja, no término do seu mandato.

Sabe-se que a vitória do "bispo dos pobres" deveu-se em grande parte às suas ações em defesa dos camponeses sem-terra, movimentos sociais e sindicais a qual resultou na derrota nas urnas do partido da América do Sul que mais tempo havia ficado no poder e que recebeu uma licença histórica do papa.

* Docente Universitária

lunes, 11 de agosto de 2008

100 anos de criação da Colônia Erechim


:: 09 DE AGOSTO DE 2008 - SÁBADO

Local:

8h

8h15min

8h30min

9h



Coordenação:

URI - Campus de Erechim - Salão de Atos (Prédio 6)

Credenciamento

Abertura

Momento Cultural: "Projeto Cultura Italiana - PROETI"

"Ferrovia Agricultura Familiar: Lutas e Perspectivas no Alto Uruguai". Prof. Dr. Nédio Piran (URI - Campus de Erechim)
Debatedor: Prof. Enori Chiaparini (SMCET)

Prof. Esp. Simone Zago (Coordenadora do Arquivo Histórico Municipal)


:: 30 DE AGOSTO DE 2008 - SÁBADO

Local:

8h

8h15min

8h30min

9h


Coordenação:

URI - Campus de Erechim - Salão de Atos (Prédio 6)

Credenciamento

Abertura

Momento Cultural: "Projeto Cultura Alemã - PROETI"

"Colonização em Erechim" - Prof. Enori Chiaparini (SMCET)
Debatedor: Prof. Ms. Ernesto Cassol (
URI - Campus de Erechim)

Prof. Dr. Paulo Bittencourt
(URI - Campus de Erechim)

:: 06 DE SETEMBRO DE 2008 - SÁBADO (retornar ao topo)

Local:

8h

8h15min

8h30min

9h

URI - Campus de Erechim - Salão de Atos (Prédio 6)

Credenciamento

Abertura

Momento Cultural: "Projeto Cultura Gaúcha - PROETI"

Comunicações

:: 27 DE SETEMBRO DE 2008 - SÁBADO (retornar ao topo)

Local:

8h

8h15min

8h30min

9h



Coordenação:

URI - Campus de Erechim - Salão de Atos (Prédio 6)

Credenciamento

Abertura

Momento Cultural: "Projeto Cultura Afro - PROETI"

"Análise do Processo de Criação dos municípios a partir da Colônia Erechim" - Prof. Esp. Neivo Angelo Fabris (IHG - GV)
Debatedora: AMAU

Prof. Ms. Gladis Helena Wolff
(URI - Campus de Erechim)


:: 18 DE OUTUBRO DE 2008 - SÁBADO (retornar ao topo)

Local:

8h

8h15min

8h30min


10h

URI - Campus de Erechim - Salão de Atos (Prédio 6)

Credenciamento

Abertura

"100 anos em uma noite - Um documentário sobre o centenário de criação da Colônia Erechim" - diretor: Osnei de Lima

Debate

:: 20 DE OUTUBRO DE 2008 - SEGUNDA-FEIRA (retornar ao topo)

Local:

19h

19h30min

19h45min

20h


Coordenação:

Centro Cultural 25 de Julho

Credenciamento

Solenidade de Abertura

Momento Cultural: Banda Tributo - Fone 99764446 (Eduardo)

"Contexto Macroeconômico da Colonização" - Prof. Dr. Luiz Eugênio Vescio (UFSM)
Debatedora: Prof. Dra. Isabel Rosa Gritti
(URI - Campus de Erechim)

Prof. Esp. Simone Zago
(Coordenadora do Arquivo Histórico Municipal)

:: 21 DE OUTUBRO DE 2008 - TERÇA-FEIRA (retornar ao topo)

Local:

19h

19h15min

19h30min

20h

Coordenação:

Centro Cultural 25 de Julho

Abertura

Momento Cultural: Escola de Belas Artes

"Uma Cidade Planejada Sob Inspiração Positivista: Erechim (1908-1930)"
Prof. Ms. Remis Alice Perin Schmidt (PUCRS)
Debatedor: Prof. Ms. Ernesto Cassol (URI - Campus de Erechim)

Prof. Ms. Neusa Cidade Garcez
(URI - Campus de Erechim)


:: 22 DE OUTUBRO DE 2008 - QUARTA-FEIRA (retornar ao topo)

Local:

19h

19h15min

19h30min

20h

Coordenação:

Centro Cultural 25 de Julho

Abertura

Momento Cultural: Coral Municipal

"A Diversidade Étnica na Colonização de Erechim" - Prof. Dra. Isabel Rosa Gritti
(URI - Campus de Erechim)
Debatedora: Prof. Dra. Thaís Janaína Wenczenovicz (UNOESC - IDEAU)

Prof. Dr. Everson Fogolari
(URI - Campus de Erechim)

23 DE OUTUBRO DE 2008 - QUINTA-FEIRA (retornar ao topo)

Local:

19h

19h15min

19h30min



Coordenação:

URI - Campus de Erechim (Prédio 6)

Abertura

Momento Cultural: Grupo Folclórico Polonês de Erechim - Jupem

"Religiões e Religiosidade na ex-colônia Erechim - Prof. Ms. Luciana Gressana
(URI - Campus de Erechim)
Debatedor: Padre Antônio Valentini Neto

Prof. Ms. Marli de Almeida Baldissera
(URI - Campus de Erechim)

24 DE OUTUBRO DE 2008 - SEXTA-FEIRA (retornar ao topo)

Local:

19h

19h15min

19h30min


Coordenação:

URI - Campus de Erechim - Salão de Atos (Prédio 6)

Abertura

Momento Cultural: Coral Infanto-Juvenil da URI - Campus de Erechim

"Escola e Educação na ex-colônia Erechim" - Prof. Dra. Silvana Gritti
Debatedora: Prof. Ms. Marli de Almeida Baldissera
(URI - Campus de Erechim)

Diretório Acadêmico Luis Carlos Prestes (Curso de História da URI - Campus de Erechim)


Inscrições
(retornar ao topo)

- Período: 01 de Julho à 02 de Agosto
- Local: Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font

- Inscrições Gratuitas
- Fone: 3522-9284

Carga Horária

- 40 horas

Certificados

- Presença mínima de 8 encontros

Locais de realização

- Centro Cultural 25 de Julho
- Salão de Atos - URI - Campus de Erechim

Realização
-
Prefeitura Municipal de Erechim


Execução
- Arquivo Histórico Municipal JUAREZ MIGUEL ILLA FONT
- Curso de História da URI - Campus de Erechim


Apoio
- Banrisul